Lake of Fire (2006)

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“Lake of Fire” é um documentário que faz corar de vergonha quem hoje em dia não faz por ver mais documentários. Numa época onde a informação é consumida ao minuto e em pequenos surtos, os mecanismos onde essa informação é gerada seguem uma tendência pouco saudável de “plastificação” do seu material. Informação tornou-se “conteúdo” e não são muitos os exemplos considerados indignos na demanda pelo “Like” e pelo “Share”, os mediadores de importância do novo mundo. O bom Cinema documental troca esse apelo fácil por outros traços mais difíceis de vender a um público geral como a discussão de assuntos ou eventos que não se enquadram no perfil de uma conversa casual de café. Então se o exemplo em questão envolver o realizador Tony Kaye (American History X, Detachment) a vaguear durante 2h30 pelos dois lados do debate sobre o aborto a conversa dificilmente passará de uma troca constrangedora de olhares, pelo que mais uma vez as peças de foro informativo não conseguem escapar ao estigma de serem horríveis desbloqueadores de conversa.

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The Room (2003)

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O famoso crítico de Cinema Roger Ebert escreveu um dia sobre o filme “Freddie Got Fingered” de Tom Green: This movie doesn’t scrape the bottom of the barrel. This movie isn’t the bottom of the barrel. This movie isn’t below the bottom of the barrel. This movie doesn’t deserve to be mentioned in the same sentence with barrels. Sucinto no seu desdém, Ebert não só havia conjurado mais uma citação genial para o seu portfólio de muitas como também uma espécie de frase-mestra que encapsula perfeitamente o sentimento reservado àqueles filmes que fazem a mais recente saga “Transformers” parecer Shakespeare. “Annie” e “Movie 43” são exemplos recentes disso mesmo mas até quando se trata do entulho de toda uma indústria existem motivos suficientes para um processo cuidado de atribuição que atribuirá justamente o pecador ao seu círculo do Inferno. Todos eles serão sempre horríveis desculpas de Cinema mas a falta de qualidade de exemplos como os supracitados não os tornará no futuro mais memoráveis do que já são hoje (esperemos) enquanto outros falham de forma tão espectacular que o estudo da sua génese não é só aliciante mas quase obrigatório.

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Inherent Vice (2014)

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Com apenas 7 longas-metragens no seu curriculum Paul Thomas Anderson (PTA) conta com o condão invejável de deixar toda uma comunidade a salivar a partir do momento que um projecto de sua autoria é anunciado. Esse poder é consequência de anos a produzir obra após obra de tal impacto que levaram à exaltação da perícia de Anderson com a caneta e a câmara como algo quase-incontestável e na inclusão do seu nome na lista não-oficial dos grandes autores do nosso tempo. Porém até um reportório tão invejável não está acima de ficar marcado pela negativa ou numa perspectiva mais benévola, pela excepção que prova a regra, que neste caso se chama “Inherent Vice”. Esta verdadeira pedra no sapato assinala o regresso inglorioso do autor não só ao lado mais bravio dos anos 70 mas também às adaptações de material que não o seu numa obra com mais de 2 horas que exibe um tratamento geral rico na sua pobreza.

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Whiplash (2014)

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Seria difícil de adivinhar que após uma longa sucessão de filmes apontados a um público de mais tenra idade Miles Teller não só se revelaria uma das maiores surpresas de 2014 mas ao mesmo tempo um actor capaz de carregar a sua parte como protagonista de um filme tão intenso como “Whiplash”. Esta espécie de “The Fast and the Furious” dos tambores versão arthouse é simultaneamente um conto bastante íntimo entre um aspirante percussionista de Jazz (Teller) e o seu exigente tutor (J.K. Simmons) e uma análise sublime e intransigente do caminho entre a proficiência, o sonho e a glória. No que toca a metamorfoses na tela a do jovem Andrew Neiman é crua, fria e o mais importante – franca.

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Minoria, vai à baliza!

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Depois de uma temporada que celebra a boa vontade entre todos os homens nada como as nomeações para os mais cerimoniais prémios da especialidade para pôr em polvorosa a vasta comunidade de cinéfilos, críticos, bloggers ou mesmo de utilizadores comuns do Facebook e Twitter. A popularização da social media trouxe a oportunidade a mais vozes (como a nossa) de terem um acesso mais fácil à discussão de eventos e temáticas do nosso interesse o que levou ao surto e expansão de opiniões de foro cada vez mais variado. O teor demográfico dos filmes em Hollywood tem sido o tópico que mais tem vindo a aquecer graças ao abanar das chamas tanto por entidades independentes como por grandes publicações que dedicam cada vez mais tempo e atenção a esta questão específica, deixando muitas vezes o mérito artístico dos filmes no banco de trás. Artigo após artigo a mensagem articulada em uníssono tende a repetir-se: existe um problema entre nós e o seu grande catalisador são homens de tez branca.

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Birdman (2014)

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Alan Swann, a personagem de Peter O’Toole em “My Favorite Year”, não podia ter sido mais certeiro em relação ao futuro do Cinema como indústria ao auto-avaliar-se com a deixa “I’m not an actor, I’m a movie star!”. De facto a identidade de ‘actor’ foi sendo substituída cada vez mais pela de ‘estrela’ à medida que o passar dos anos fez aumentar a importância do blockbuster e diminuir a importância a habilidade do artista como artista ao invés de figura central dos media. Robert Downey Jr. é provavelmente um dos actores mais conhecidos e acarinhados à escala mundial mas é provável que muitos dos seus ‘fãs’ não conheçam um único título do actor prévio a 2008, ano em que este encarnou Iron-Man e que marca o início oficial do Universo Cinematográfico da Marvel. Daniel Brühl deu uma das melhores performances de 2013 como o Niki Lauda de “Rush” mas o seu talento não o conseguiu fazer sair da sombra da nova mega-estrela Chris Hemsworth. O mais recente filme da saga “Hunger Games” conta com uma actriz oscarizada e o seu nome não é Julianne Moore. Como resposta a esta venda de arte a retalho surge agora um ensaio intitulado “Birdman”.

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The Interview (2014)

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Depois da barafunda e do standoff mexicano entre corporações e países – sobre o qual nos debruçámos aqui – a poeira não tardou a assentar e o lançamento do polémico The Interview avançou mesmo em quantidade limitada em alguma salas norte-americanas mas em larga escala em plataformas digitais. O prometido banho de sangue e escombros deu lugar ao ruminar de pipocas e à corrida para ver o filme cujo nível de controvérsia faria corar de vergonha Sacha Baron Cohen, Trey Parker e Matt Stone. Feitas as contas o “vai – não vai” mais popular do ano acabou por se revelar uma acidental(?) manobra de marketing que levou o filme da sombra do lápis azul aos ecrãs de todo o mundo no curto espaço de uma semana, levantando dúvidas sobre a gravidade do caso no processo. Facto é que The Interview chegou com honras de clássico e ícone de liberdade de expressão onde provavelmente, numa situação normal, lhe estaria reservada uma estreia de cariz bem mais reservado.

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Et tu, Kim?

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Estes últimos dias temos sido invadidos por uma enxurrada de actualizações e lembretes relativos ao escândalo de hacking aos servidores da Sony, de onde foram retirados filmes por distribuir, estratégias de marketing e  e-mails externos e internos entre  outra informação. A juntar-se à festa chegou em muita apoteose o filme The Interview que já vinha desde a altura do seu anúncio causado algumas reacções fortes relativas a um dos acontecimentos nele retratados: o assassinato de um presidente estrangeiro que ainda exerce a sua função. Uma resposta à medida não fosse esse presidente Kim Jong-Un, líder supremo da assim denominada República Democrática Popular da Coreia ou Coreia do Norte para aqueles que gostam de chamar os bois pelos nomes. Mas há algo aqui que parece não encaixar no tumulto de ameaças e jogadas logísticas que tornou o lançamento desta película (agora cancelado) num circo que transcendeu o mundo de Hollywood e que captou já a atenção da Casa Branca.

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O ano de 2014 em Posters

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O ano dispara agora os seus últimos cartuchos e isso significa que é tempo de balanços sobre a jornada que foi 2014. Embora muitos dos títulos mais aguardados e positivamente comentados do ano ainda tardem a chegar a terras lusas o mesmo não pode ser dito das peças promocionais que os representam pelas paredes das divisões onde o culto ao Cinema se pratica. Coloridos ou a preto e branco, minimalistas ou embelezados, com mais ou menos Photoshop, os posters, em todo o seu esplendor estático, têm ainda um certo poder de atracção sobre espectadores indecisos ou incertos sobre o filme que estes apregoam.

É certo que um filme, tal como um livro, não deve ser julgado pela sua capa mas o cuidado tido com uma peça de propaganda pode também ser um indicador do cuidado que foi tido com a película em si ou, no pior dos casos, uma possível nova opção para dar vida a um espaço. Do presente ano seleccionámos 50 bons exemplos disso mesmo. Alheia a qualquer opinião sobre o filme em si esta lista ordenada por ordem alfabética foca-se em honrar 50 das melhores peças do género atribuídas a filmes com data de 2014, tentando albergar todo o tipo de géneros, dimensões, formatos e origens. Ora vejamos…

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10 Natais Especiais

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Chegou a época do ano com mais magia para uns e transtorno para outros, uma temporada de sentimentos brandos e de apelo à comunhão que ao longo dos tempos se tem vindo a traduzir em corridas de última hora a superfícies comerciais a abarrotar, reuniões familiares mal-vistas e jogos de logística. E filmes. As televisões enchem-se de novos e velhos títulos ligados ao Natal de forma a atrair a atenção de famílias mais caseiras e nos cinemas os estúdios tendem a guardar um dos seus trunfos mais comerciais para aproveitar o fluxo de espectadores que aproveitam as suas férias da escola e/ou do trabalho.

Em 2015 o novo capítulo da saga Star Wars chegará exactamente uma semana antes do dia de Natal e em Janeiro de 2010 James Cameron esmagou o seu próprio recorde de bilheteira quando Avatar, lançado em Dezembro de 2009, subiu ao primeiro lugar do top de filmes mais rentáveis de sempre. O Natal tornou-se então um segundo Verão para aqueles que procuram entreter e ser entretidos fora de casa e dentro dela a chuva de clássicos, repetições e novas entradas por tudo o que é canal é uma constante na corrida às audiências, ainda que algumas dessas escolhas comecem a ficar gastas. Para aqueles que já estejam fartos de Die Hard e Home Alone (o mais humanamente possível, pelo menos) deixamos aqui recomendados 10 contos alternativos para ser desfrutados debaixo do cobertor ou ao calor da lareira.

Boas festas!

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