15 Filmes para o Halloween

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Embora no nosso país a tradição de esculpir abóboras e sair à noite à caça de doces nunca tenha atingido o mediatismo do seu homólogo americano, a mística do Halloween não deixa de marcar presença nesta altura do ano. Para quem gosta de viver a festividade ao máximo não faltam opções de máscaras, maquilhagem e apetrechos que ajudem a libertar o zombie ou vampiro em nós naquela madrugada entre 31 de Outubro e 1 de Novembro. No entanto existem aquele mais pacatos, que não tenham tempo ou paciência para festas ou que apenas prefiram passar os serões em locais menos turbulentos e para eles o Cinema é sempre uma boa alternativa para assinalar a data. Quer sozinhos ou com um grupo de amigos, existe sempre um filme à medida de quem quer passar um bom bocado absorvido no clima etéreo quer se goste ou não de sentir um constante arrepio na espinha.

De forma a evitar vários nomes que muitos tenham já em mente, como os Halloween e os Nightmare on Elm Street desta vida, os títulos abaixo tendem a divergir um pouco em género e idade mas os seus corações estão no sítio certo. Hoje deixamos 15 recomendações ordenadas por ordem (provável) de palpitações. Bons sustos.

 

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Wallace & Gromit: The Curse of the Were-Rabbit (2005)

Mesmo num dos seus piores momentos, Nick Park não sabe o que é entregar um mau produto. Embora não seja a aventura mais sólida do solitário inventor Wallace e do seu heróico cão Gromit, a primeira longa metragem baseada no duo de plasticina é uma divertida experiência familiar que não esquece as suas raízes. Aproveitando a ocorrência do mais famoso festival de colheitas da região, Wallace e Gromit formam uma equipa de controlo de pragas que se dedica a proteger as plantações de coelhos esfomeados. Como não seria de estranhar, é tudo uma questão de tempo até o alheamento de Wallace trazer o perigo até eles e cabe então ao grupo correr atrás do prejuízo. Embora leve em conteúdo, o charme da animação e do trabalho vocal dos actores faz com que esta seja uma óptima escolha para um grupo que inclua crianças e adultos.

 

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Clue (1985)

Até há bem poucos anos seria considerada comum uma reunião de detectives amadores à volta de um tabuleiro de Cluedo para uma noite de diversão. Embora o Tempo tenha trazio o declínio dessa prática isso não significa que esta tenha perdido a piada e a maior prova disso é a versão cinematográfica do jogo de tabuleiro, que simula os acontecimentos de uma partida. 6 estranhos são convidados para uma festa numa remota mansão sob circunstâncias suspeitas, como quem parafraseia um romance de Agatha Christie, e cedo são-lhes dados motivos para duvidar do anfitrião e dos outros hóspedes. O twist cómico dado ao conto dá-lhe aquilo que tornava tão ridícula e empolgante a cadeia de pensamentos que se formava na mente de um jogador que se via a braços com a acusação de suspeitos com nomes como Coronel Mostarda. Ainda a pensar nas componentes completamente aleatórias do jogo, Clue foi pensado, escrito e rodado com múltiplos finais em mente de forma a que mesmo o desenlace não tenha um tom definitivo. Para aqueles que preferem nada mais que uma boa mistura entre Mistério e Comédia esta é uma paragem obrigatória.

 

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Harry Potter & Philosopher’s Stone (2001)

Harry Potter dispensa apresentações. A inclusão do primeiro filme nesta lista é derivada do feeling especialmente sinistro das aventuras de um Harry mais jovem e alheio ao universo medonho que o rodeia. Os dois filmes que o sucederam partilham ainda desta sensação, formando uma trilogia inconvencional dentro dos 8 filmes da série, mas dado que este é aquele onde a personagem principal se encontra mais sozinha no meio de dois mundos cheios de segundas intenções, fica a ideia caso queiram depois prosseguir para os dois seguintes ou até toda a saga. Fica ainda uma palavra de apreço a Chris Columbus, que sabe trazer o melhor de jovens actores à tona como poucos, e a Richard Harris, o eterno Dumbledore.

 

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Willy Wonka & the Chocolate Factory (1971)

Muito antes de Tim Burton ter decidido arruinar o clássico de Roald Dahl com a sua adaptação encabeçada por Johnny Depp, o escritor inglês teve a oportunidade de adaptar o seu próprio livro para um guião realizado por Mel Stuart. A história do rapazinho pobre que consegue a oportunidade de visitar a fábrica de doces mais exclusiva e misteriosa do Mundo pode parecer um conto infantil à primeira vista mas na realidade as coisas não são assim tão simples. É verdade que o filme terá uma maior probabilidade de criar ligação com crianças em vez dos mais velhos mas ainda assim existe uma clara influência psicadélica que proporcionam momentos mais carregados e apontados a um público mais maduro. A carregar o filme nas suas costas está Gene Wilder com uma performance equilibrada no fio da navalha entre a serenidade e a loucura, mesmo à medida do papel que lhe foi cabido, mas sempre com aquele timbre de ancião por debaixo do seu exterior bizarro. Um clássico.

 

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Frankenstein (1931) e Bride of Frankenstein (1935)

Por falar em clássicos, não poderia faltar a inclusão de uma das entradas do icónico conjunto de filmes de terror da Universal que desde os anos 20 do século passado têm vindo a marcar gerações de cinéfilos. A história do monstro de Frankenstein está incluída no rol de elite proveniente desses dias por muito singelo que possa parecer após mais de 80 anos de existência. É certamente difícil manter a jovialidade quando se faz parte da base do Terror moderno mas ainda assim não deixa de ser agradável ver onde a moda de laboratórios com máquinas faíscantes, parafusos no pescoço, população munida de tochas e Boris Karloff começou. Se há um aspecto que sobrevive bastante bem são os cenários que, embora não cheguem à composição artística como o de outros clássicos como The Cabinet of Dr. Caligari ou Faust, dão ao castelo do Dr. Frankenstein um ar gótico bastante convincente, especialmente para um filme da época. Se apreciarem o original de 1931 façam um favor a vocês próprios e assistam à sua sequela, também ela realizada por James Whale, que vê o célebre monstro ganhar uma companheira e o franchise um outro nível de qualidade.

 

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Rocky Horror Picture Show (1975)

Tentar explicar a loucura que é Rocky Horror Picture Show seria, para além de difícil, um desserviço às surpresas que este nos reserva. Originalmente uma produção teatral denominada The Rocky Horror Show e adaptado ao grande ecrã pelos criadores originais, a peça-tornada-película é uma ode musical aos filmes clássicos de terror de baixa produção, num formato burlesco de exagero e deboche. A narrativa em si não é o maior chamariz pois esse não é um dos alicerces da película mas apenas um veículo entre as canções e números de dança cuja melodia pop-opera consegue ser estranhamente contagiante. Também da produção teatral veio grande parte do numeroso elenco de personagens e figurantes, principalmente o majestoso Tim Curry (que fez também parte de Clue) no papel principal de Dr. Frank-N-Furter, um excêntrico cientista travesti que habita um castelo remoto rodeado de criados e admiradores do seu estilo muito próprio. Para muitos actores seria difícil cantar ou dançar ou fazê-lo vestido com lingerie e saltos altos mas Curry consegue não só combinar as 3 mas também fazê-lo de forma tão natural de forma a que seja impossível reconhecer o actor no meio da performance. Se há resumo possível de RHPS é a introdução da sua personagem principal.

 

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From Dusk till Dawn (1996)

Robert Rodriguez. Quentin Tarantino. México. Sobrenatural. É preciso dizer mais?

 

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Gone Girl (2014)

Se ainda o conseguirem apanhar nas salas de cinema por esse país fora, recomendamos que vejam (ou revejam) Gone Girl . Para uma opinião mais aprofundada do filme podem ler a nossa crítica aqui.

 

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The Manchurian Candidate (1962)

Embora não possa ser oficialmente classificado como filme de Terror a premissa deste thriller faz corar de vergonha muitos filmes actuais enquadrados dentro do género. Produzido numa época em que a América se encontrava no meio de um turbilhão causado pela Guerra do Vietname, a Crise dos Mísseis Cubana e a Guerra Fria. Ao mesmo tempo que faz uma crítica que pouco tenta mascarar por baixo da trama a obra de John Frankenheimmer tece a vida de um homem cujo passado lhe retirou a alegria do presente de maneira bem ingrata mas talvez ainda mais assustador seja o facto de que esteja apenas a pequenas alterações de poder ser aplicado ao panorama geopolítico dos nossos dias. Uma excelente escolha para aqueles que preferem uma guião sublime a conteúdo mais gráfico.

 

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The Skin I Live in (2011)

Do outro lado da fronteira Pedro Almodóvar nunca foi estranho à utilização de elementos mais bizarros nas suas obras, que lidam frequentemente com temas como identidade e liberação. No entanto esta é provavelmente a entrada mais horripilante na filmografia do realizador, uma película de terror psicológico em que o poder de insinuação e o desenrolar lento da trama são tudo. A escala muito íntima de toda a história, quase exclusivamente interpretada por Antonio Banderas e Elena Anaya, é a chave para a atmosfera fria e voyeur que se vai empilhando em cima de si própria. Ao início pode parecer um pouco confuso e pouco convidativo mas isso é apenas porque é a intenção do autor derrubar todas as peças do puzzle em cima das nossas cabeças apenas para depois prender a nossa atenção gradualmente quando cada novo encaixe nos aproxima da grande revelação. Curto em palavras mas forte em conteúdo.

 

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The Wages of Fear (1953)

O medo tem várias formas e nenhuma delas é tão aterradora como aquela que parece mais real ou passível de acontecer no quotidiano. Essa é a exploração feita em The Wages of Fear, o clássico francês que relata a história de 4 trabalhadores que se voluntariam para transportar um carregamento de nitroglicerina por um caminho montanhoso extremamente irregular. Na verdade nenhum deles foi ordenado a executar tal missão mas sim atraídos pela promessa de uma quantia exorbitante em troca de um risco extremo, como mosquitos atraídos pela chama. No final de contas, tudo é apenas uma enorme dissertação de resposta ao tema: “os medos são muitos e vários mas não terror algum que a cobiça não sobreponha”. E poucas viagens são mais empolgantes do que uma em que cada pequena saliência na estrada pode significar a perda de vidas.

 

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Eyes Without a Face (1960)

Para quem viu e apreciou um filme como The Skin I Live in um bom acompanhamento poderá ser um dos filmes que o inspirou. Igualmente reservado e tenebroso, a sua essência gira à volta da história de amor entre um pai e uma filha que, por força das circunstâncias e decisões precipitadas, ganham contornos sinistros. Não é tão acutilante como o filme espanhol em termos de repugnância visual ou impacto bruto do guião mas há algo aqui, a insistência de mostrar e não mostrar certos pormenores, que tornam esta experiência bem inquietante mesmo pelos standards de hoje.

 

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Psycho (1960)

Este é outro daqueles exemplos cuja reputação o precede, não fosse ele uma obra de um dos mais conceituados e famosos realizadores de todos os tempos. De uma forma ou outra a maioria das pessoas já foi exposta a Psycho, quer o filme em si, uma cena ou uma das inúmeras paródias e spoofs feitos que o tornaram não só um clássico do Cinema mas um pedaço da cultura pop. Para além de actos pioneiros como o facto de ter sido o primeiro filme a mostrar um autoclismo a ser descarregado (um momento marcante para a representação de utensílios de casa de banho no Cinema) não há muita coisa aqui que não seja bem feita. Quantas histórias poderiam manter-se frescas ao longo dos anos quando umas das suas cenas vitais é divulgada e usada como exemplo constantemente? A sua própria complexidade colmata esse tragar assíduo, surpreendendo os novos “visitantes” do Bates Motel com uma trama que é mais do que o arco da história de Marion Crane.Tal como ela também nós somos atraídos àquele lugar e à cara de menino de Norman Bates e também o nosso check-in será eterno.

 

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The Thing (1982)

Por último mas não menos importante está a obra-prima de John Carpenter, outro dos mestres do Terror dos nossos tempo, responsável por títulos como o supracitado Halloween, The Fog ou Escape from New York. Seria em 1982 que Carpenter viria a atingir um dos pontos mais altos da sua carreira com um semi-remake de The Thing from the Another World de 1951, cujo romance original foi também utilizado pelo autor para este projecto. The Thing tem o dom raro de se inserir dentro de dois géneros (Terror e Ficção Científica) e ser um marco dentro de ambos. No primeiro devido ao seu uso magistral de tensão, colocando vários homens numa localização remota onde uma espécie de tribo é formada apenas para ser assolada por um flagelo que os faz duvidar das mesmas pessoas que antes consideravam seus camaradas. Quanto ao segundo muito se deve ao trabalho de pessoas como Rob Bottin e Stan Winston, génios da área dos adereços e efeitos práticos que permitem que tudo o que seja considerado extra-terrestre ou não pareça o mais orgânico possível, algo que raramente se vê nos dias de hoje onde os efeitos computadorizados são a ferramenta predilecta a aplicar nestes casos. O que sai no final é não só uma forma extraordinária de entregar os sustos mas também de os apresentar à audiência. Retirando isso ficamos com algo sem alma e linear em todos os campos ou, como é hoje apelidada, The Thing (2011).

Sobre o Autor

Os seus hobbies incluem: 1. Procrastinar / 2.