10 Natais Especiais

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Chegou a época do ano com mais magia para uns e transtorno para outros, uma temporada de sentimentos brandos e de apelo à comunhão que ao longo dos tempos se tem vindo a traduzir em corridas de última hora a superfícies comerciais a abarrotar, reuniões familiares mal-vistas e jogos de logística. E filmes. As televisões enchem-se de novos e velhos títulos ligados ao Natal de forma a atrair a atenção de famílias mais caseiras e nos cinemas os estúdios tendem a guardar um dos seus trunfos mais comerciais para aproveitar o fluxo de espectadores que aproveitam as suas férias da escola e/ou do trabalho.

Em 2015 o novo capítulo da saga Star Wars chegará exactamente uma semana antes do dia de Natal e em Janeiro de 2010 James Cameron esmagou o seu próprio recorde de bilheteira quando Avatar, lançado em Dezembro de 2009, subiu ao primeiro lugar do top de filmes mais rentáveis de sempre. O Natal tornou-se então um segundo Verão para aqueles que procuram entreter e ser entretidos fora de casa e dentro dela a chuva de clássicos, repetições e novas entradas por tudo o que é canal é uma constante na corrida às audiências, ainda que algumas dessas escolhas comecem a ficar gastas. Para aqueles que já estejam fartos de Die Hard e Home Alone (o mais humanamente possível, pelo menos) deixamos aqui recomendados 10 contos alternativos para ser desfrutados debaixo do cobertor ou ao calor da lareira.

Boas festas!

 

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Love Actually (2003)

A entrada mais portuguesa desta lista coloca uma jovem Lúcia Moniz no meio de um vasto elenco de estrelas e futuras estrelas do grande e pequeno ecrã. A actriz contracena com Colin Firth numa das várias mini-histórias que compõem este Pulp Fiction do romance escrito e realizado por Richard Curtis, alguém que já deu voltas suficientes ao tópico para tomar conta de um projecto desta envergadura e apresentar algo com qualidade. O estilo “unisexo” de escrita do autor aliado a uma escolha invejável de talento faz com que esta seja uma escolha mais segura na hora de escolher um título que se queira com um tom cómico e romântico mas que não abuse da lamechice.

 

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Stalag 17 (1953)

10 anos antes de Steve McQueen liderar um grupo de soldados aliados numa evasão de um campo prisional nazi já Billy Wilder tinha passado pela experiência de seguir um grupo de captivos no seu dia-a-dia durante os tempos da 2ª Guerra Mundial. No entanto não há à primeira vista muito de heróico ou de inspirador no protagonista interpretado por William Holden, não fosse ele um cínico de primeira sempre concentrado no seu próprio umbigo, o que não nos impede de começarmos a ganhar interesse na sua história quando o seu charme começa a revelar-se um fraco adversário contra a vida em cativeiro. Natal ou não, as tropelias de um pobre degenerado não estão à altura das malhas da injustiça e entre momentos de humor e drama essa noção é trabalhada magnificamente, evitando ao máximo os clichés que este tipo de moldura tende a inspirar.

 

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Rocky IV (1985)

Depois de três filmes a combater e derrotar o melhor que América tinha para oferecer nos ringues de boxe, chegara a hora de Rocky Balboa deixar a sua marca na Guerra Fria graças à sua rivalidade com Ivan Drago, a resposta do bloco comunista ao ícone americano. O embate derradeiro entre os dois fica marcado para o dia 25 de Dezembro na nação natal de Drago, um jogada óbvia do realizador/guionista/estrela Sylvester Stallone de elevar a fasquia emocional ao máximo e, tal como nos anteriores filmes da saga, dar à sua personagem a etiqueta de “oprimido” para que o desfecho tenha o maior impacto possível. Por muito salobra que tal mistura possa parecer a princípio, a entrada mais comercial do franchise até à data prova-se competente e nunca se tenta estender para além do seu alcance ao focar-se nas coisas simples como trocas de machismo constantes e montagens de treino ao som de Survivor e Kenny Loggins. Em suma, um perfeito exemplo do cinema comercial da época.

 

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Eyes Wide Shut (1999)

Deixem para Stanley Kubrick a tarefa de incluir uma história na época do Natal que envolva um submundo onde a elite domina e se junta para as mais ilícitas práticas em grupo num ritual tão erótico como bizarro.

 

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Kiss Kiss, Bang Bang (2005)

Antes do período em que Robert Downey Jr. dominava as manchetes ao abrigo do seu sucesso nos filmes da Marvel e depois do período em que Robert Downey Jr. dominava as manchetes ao abrigo dos seus problemas com drogas e bebida, houve um breve período em que o talentoso se encontrava perdido entre pequenos projectos. Não só foi este escrito e pensado para um actor das suas virtudes mas também como uma das mais inteligentes, cativantes, hilariantes e intricadas peças de Comédia e Film Noir dos últimos tempos. Shane Black volta a lembrar-nos que criou parelhas como a de Lethal Weapon e a de Last Boy Scout e chama Val Kilmer para interpretar um homossexual sardónico com quem Downey irá formar uma aliança instável que faz por sacar toda uma gama de reacções. Nos nossos dias não são comuns os exemplos de enredo complexo, personagens com carisma ou comédia perspicaz, o que faz deste território riqueza amplamente inexplorada.

 

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The Shop Around the Corner (1940)

Se houve um dano colateral positivo no meio de todos os horrores da Segunda Guerra Mundial foi o êxodo de talento europeu para a América onde o casamento entre as duas culturas produziu frutos interessantes. Ernst Lubitsch foi um desses exilados e a sua colaboração com James Stewart é um verdadeiro clássico não celebrado das comédias românticas natalícias.

 

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Fanny & Alexander (1982)

À primeira vista é um pouco difícil acreditar que este drama familiar evolui para um cenário de fantasia dada a extrema franqueza do material. Um pouco como Guillermo Del Toro acabaria por nos trazer em Pan’s Labyrinth em 2006 os conceitos de fantasia ficam na berma a aguardar enquanto os traços humanos da história são delineados de modo a termos uma base forte para o que irá ser introduzido mais à frente. A diferença, embora ambos guiados pela perspectiva de crianças, é a de aqui não serão encontrados faunos ou albinos arrepiantes no final de um misterioso corredor. A arma de Ingmar Bergman é transformar aquilo que nos adultos é alheio à compreensão racional de uma criança o que dá então azo ao filtro de imaginação que se instala.

 

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Eastern Promises (2007)

Quem não gosta de uma boa confecção de gangsters russos, tráfico de mulheres e o abuso que isso entalha? Pessoas com um apurado sentido de decência. Felizmente ou não David Cronenberg recusa-se a deixar que as suas vozes se ouçam na sua versão de Londres.

 

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Joyeux Noël (2005)

A primeira Grande Guerra tem vindo a perder protagonismo desde que a sua mais nova e sangrenta irmã começou a tomar o interesse de autores e estúdios desde meados dos anos 40. Ainda assim vão surgindo esporadicamente exemplos dedicados ao conflito de 1914-1918 sendo curioso que muitos deles partilham um sentimento anti-guerra que outros filmes do género tendem a desvalorizar. Este é um desses exemplos, baseado em acontecimento verídicos passados numa zona da frente de batalha onde as forças alemãs se debatiam contra as forças aliadas dos franceses e escoceses. A acção passa por dois momentos distintos, o bélico e o humano, mas a mensagem geral da mesma apoia-se claramente em apenas num deles.

 

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Life of Brian (1979)

Nada melhor como terminar com um relato do Natal original de acordo com as mentes brilhantes dos Monty Python que encontra interesse maior no estábulo vizinho à cena do presépio onde um rapazinho chamado Brian acaba por nascer. Sem surpresa este pontapé de saída insólito e toda a história de Brian são apenas um veículo para vários momentos de sátira religiosa e social regados com a comédia nonsense bem própria do grupo de comediantes.

Sobre o Autor

Os seus hobbies incluem: 1. Procrastinar / 2.