Artigo | Peter Parker vs. o Mundo – Parte II

 

 

No fundo é essa a base do sucesso da trilogia original: o equilíbrio entre momentos bons e maus que humanizam o herói. Hoje em dia o protagonista-modelo de um filme do mesmo género mantém a mesma exacta postura durante todas as suas aparições já que a sua única função no final de contas é passar incólume entre as cenas de acção mais insufladas que o dinheiro pode comprar para ter a oportunidade de nos deleitar com mais uma dose de humor algures entre o inconsequente e o banal. Qualquer sugestão de negativismo é suprimida ao mínimo indispensável pois a sua existência vai directamente contra a promessa de escapismo que estas bombas calóricas de celulóide representam. Até a própria noção de morte parece estar abaixo do mais comum dos mortais. Por outro lado a trilogia “Spider-Man”, que nunca fez por abdicar da dose de humor e acção que se espera de qualquer blockbuster, sempre apetrechou Peter com uma bagagem de dilemas e perdas pessoais com que todos, de uma forma ou de outra, se podem relacionar. A própria base moral de toda essa jornada – “Com grande poder vem grande responsabilidade” – não é apenas uma frase que sobressai num momento de elevada carga emocional mas um mote filosófico que atribui alguma textura extra aos homem/adolescente que sai em collants garridos para lutar contra malfeitores. O poder dessa mensagem não recai necessariamente no seu tom (que não é propriamente negativo ou positivo) mas na sua capacidade de estabelecer num pequeno lema todo um pilar moral que será abordado e testado ao longo de toda a história.

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