Crítica | Hacksaw Ridge (2016)

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Mel Gibson é um sapo duro de engolir. Se é verdade que o seu carácter tem um lado indesejável já mais que exposto e documentado, de igual forma é verdade que as suas capacidades como artista estão acima da média dos seus pares quer em frente ou por detrás da câmara. Uma abordagem à sua perda de estatuto pode por esta altura ser algo repetitivo e banal mas desde essa ocasião o seu percurso profissional – este filme incluído – apresenta uma influência sua tão forte que ignorá-la seria desprezar um ponto relevante à análise do artista e da sua obra. Nos anos após a divulgação dos seus comentários de cariz racista, sexista e tudo pelo meio Gibson foi interrompendo o seu exílio da ribalta com aparições em filmes como “Expendables 3” e o mais recente “Blood Father” onde interpretou o mesmo tipo de lobo solitário a viver à margem da lei e/ou da vida cor-de-rosa que outrora tinha sido sua, um paralelismo com a vida real que não podia ser mais óbvio. Agora na qualidade de realizador – 10 anos após o seu último esforço, “Apocalypto” – a história escolhida por Gibson para adaptar também não terá vindo ao acaso já que alguns dos temas nela incluídos vão de encontro ao seu desejo de demonstrar o seu lado mais apaziguador mantendo, ao mesmo tempo, o tipo de estrutura com que tem vindo a trabalhar com grande sucesso.

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