Fantastic Four (2015)

ff_header copy

 

 

“Fantastic Four” não é o filme terrível que o fazem parecer. Tem, no entanto, um filme terrível dentro de si que ocupa cerca de 70% do seu todo, o que faz com parte do vitríolo que lhe é dirigido seja justificado. O que não é mencionado vezes suficientes no meio desse negativismo é aquele resto que funciona e, mais importante ainda, injecta alguma frescura num sub-género atormentado pela redundância. Intencionalmente ou não a catadupa de rumores sobre o ambiente no local de filmagens – onde o realizador Josh Trank emerge como fonte de atrito com o elenco, a sua equipa e o estúdio – condicionou este nível de resposta ao colocar um enorme círculo vermelho à volta de toda e qualquer lacuna. Depois do envolvimento directo do estúdio aquilo que chega às salas é algo medíocre, frio, desconexo mas também com alguns rasgos de génio. A sua mediocridade vem de uma junção de elementos terríveis e muitos bons que por sua vez advêm de uma predisposição para tomar riscos, o que basta para o tornar mais interessante do que qualquer outro produto da fábrica Marvel lançado em 2015.

Ler mais…

Love & Mercy (2014)

love_header copy2

 

 

Para aqueles que lembram os Beach Boys somente como aquele grupo de rapazes amorosos com penteados à la esfregona a carregar uma prancha de surf pela praia, “Love & Mercy” virá como um choque. Tal como os Beatles, o enorme sucesso da banda, devido ao seu som leve e contagiante, foi apenas uma prequela para o desejo subsequente de produzir material diferente e mais maduro que, por sua vez, serviu como o primeiro presságio para a eventual ruptura e dissolução do grupo. No caso dos Beach Boys o homem no centro de todo esse processo foi Brian Wilson, o material em questão foi o álbum “Pet Sounds” e a sua Yoko Ono foi a esquizofrenia. A cena inicial actua como uma síntese dos tempos áureos da banda ao abrigo do sol da Califórnia, dos gritos das multidões em êxtase e – mais crucial ainda para o foco central da história – da sua realização artística, qual silêncio antes da tempestade. Assim, como a maior parte de boas biografias dedicadas ao mundo da música, “Love & Mercy” não é sobre o making-of de um álbum ou a crónica de uma tour mas sim uma história extremamente íntima que, embora irregular, se mostra assente num leque de ideias sólidas.

Ler mais…