A Town Called Panic (2009)

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Na passada edição dos Oscars da Academia a categoria de Animação contou com um candidato improvável na corrida ao prémio contra gigantes da área: Ernest et Célestine. Sem surpresas o estrondoso êxito Frozen da Disney acabou por arrecadar a estatueta e grande parte do protagonismo dedicado a essa categoria mas, como é tão comum acontecer nestas situações, faltou premiar e demarcar outra boa película e, quiçá, a melhor dentro de um grupo relativamente pobre. Foi difícil esquecer o estilo de animação deliciosamente anti-americano, anti-computadores e anti-sacarina e o humor descomprometido de uma história que, sem perder a sua infantilidade, consegue causar um rombo emocional a um público mais crescido.

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Obvious Child (2014)

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O Cinema indie tem-se afirmado cada vez mais nos últimos anos como uma alternativa mais íntima e humana aos projectos gigantes dos grandes estúdios cinematográficos que parecem cada vez mais focados somente em entretenimento. Aliado a isso está também a crescente perspectiva feminina atrás e à frente das câmaras, consequência do papel mais significativo que as mulheres têm vindo a reunir nas últimas décadas em áreas anteriormente quase exclusivamente populadas por homens. Obvious Child é um dos descendentes óbvios (passando a expressão) dessa subida sendo ele uma história não necessariamente actual mas que muito dificilmente seria gravada, comprada e distribuída pelos canais mainstream num momento da História anterior ao que vivemos actualmente.

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Calvary (2014)

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Depois de uma promissora mas ultimamente desbotada estreia com The Guard em 2011, John Michael McDonagh regressa agora com o mais profundo e não menos tenebroso Calvary, o conto de um padre irlandês que preside sobre uma diminuta paróquia localizada nas remotas colinas da Ilha Esmeralda. Verdadeira à tendência do clã McDonagh (que conta também com Martin McDonagh de In Bruges), há um véu de melancolia que envolve toda a acção de princípio a fim. Isso não impede a presença da também usual vertente cómica bastante sarcástica e acutilante dos dois irmãos sempre longe de algo que costume dar azo a gargalhadas mas esta marca a primeira vez em que são incluídos os elementos necessários para contrabalançar a frieza da película de modo eficiente e eficaz.

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Edge of Tomorrow (2014)

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Como pode ser apelidado um filme que revela uma boa parte da sua essência com os trailers, tem o seu quinhão de buracos na trama e que mesmo assim consegue encantar a sua audiência? O insipidamente intitulado Edge of Tomorrow não será certamente o primeiro exemplo passível de se encaixar nessa categoria mas é, de longe, um dos mais consistentes e negligenciados dos últimos anos. Num passado não muito distante o nome de Tom Cruise no poster de um filme garantiria o seu sucesso no plano comercial mas algumas decepções mais recentes reverteram um pouco essa tendência, levando o filme a passar despercebido em salas por todo o Mundo. Mas mais que uma perda monetária para o estúdio esta é uma perda para o consumidor, que deixou assim passar a oportunidade de sentir e apoiar a passagem de um dos mais interessantes blockbusters dos últimos 10 anos pelas salas de cinema.

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Die Nibelungen (1924)

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Nota: Antes do visionamento de qualquer um dos filmes é aconselhável que não procurem ler as suas sinopses em sites como o IMDb pois estas revelam pontos cruciais da história.

 

Entre os épicos que foram o primeiro capítulo da sua trilogia do Dr. Mabuse e o portentoso Metropolis, o génio de Fritz Lang voltou a sua atenção para a fantasia e os contos clássicos, mais a especificamente a Nibelungenlied (A Canção dos Nibelungos). Co-escrita com a sua esposa de então, Thea von Harbou, esta adaptação de 1924 tem o dom raro de se manter viva e fulgurante ao longo de quase 5 horas de duração passadas numa montanha-russa de tonalidade. A chave é o expressionismo do todo e o ritmo constante do guião que mantém a história em constante movimento, entregando sequência atrás de sequência que são capazes de deslumbrar em diferentes níveis escala ou teor. No ano do seu 90º aniversário, Die Nibelungen ainda se mantém como um dos títulos mais sólidos e obrigatórios para fãs do género e faz corar de vergonha muitos dos seus “descendentes”.

Tal como aconteceu como algumas das grandes epopeias que passaram do papel para o ecrã, como Lord of the Rings ou Game of Thrones, Die Nibelungen acabou por ser dividido na altura do seu lançamento. Ainda assim, a construção exímia da narrativa permite que esse factor não destrua a integridade ou fluidez da história.

 

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The One I Love (2014)

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The One I Love, de Charlie McDowell, é um daqueles filmes cuja mera existência justifica o género onde se insere, ainda que temporariamente. Depois de Richard Curtis ter atirado mais um toro para a fogueira moribunda que é a Comédia Romântica com About Time, surge agora outra surpresa agradável que consegue reinventar um pouco a magia de ver um homem e um mulher lidarem com as suas falhas durante 90 minutos ou mais. O que nasce como um filme de romance aparentemente vulgar cresce  debaixo da tutela de uma narrativa pitoresca que faz com que evolua para um faux-thriller Hitchcockiano, com direito à desinformação que traz momentos mais tensos acompanhados por acordes de instrumentos de corda e à desorientação de planos de câmara sinuosos. Um caminho estranho, é certo, mas quase sempre da melhor maneira.

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