Os Miseráveis

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A 28 de Fevereiro do presente ano o comediante Chris Rock tomou o palco do Dolby Theatre na qualidade de anfitrião dos Oscars para entregar um discurso esperado por muitos. Ainda na crista da indignação ligada ao painel 100% caucasiano de actores nomeados para os prémios, a noite adivinhava-se quente e a escolha de Rock – feita antes do anúncio dos nomeados e consequente controvérsia – surgiu como acaso feliz para aqueles que procuravam ver o “orgulho branco” da elite do Cinema exposto no seu evento mais mediático. De início a fim as intervenções do comediante corresponderam ao esperado, focando-se no tema da desigualdade da indústria e a necessidade de mudança rápida e drástica, e fizeram-se acompanhar por um misto de rábulas e momentos sérios protagonizados por outros convidados. Nas cadeiras a audiência maioritariamente caucasiana ia acenando de sorriso amarelo em riste para os seus compinchas “de cor” – um termo da época da segregação agora usado em prol do politicamente correcto – como quem pede perdão por uma série de chicotadas emocionais que não se recordava de dar. Findas as hostilidades, o saldo da noite compôs-se de duas grandes conclusões: 1) não ficaria mal a Hollywood colocar algum cloro na sua piscina de talento e 2) a indústria ainda está longe de perceber o que isso é.

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Crítica: The Nice Guys (2016)

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Se algum dia se realizou uma cerimónia para oficializar a expressão “Em equipa que ganha não se mexe” Shane Black provavelmente marcou presença para deixar a sua assinatura e saiu com um novo mote de vida. Exceptuando talvez a sua recente colaboração com a linha de montagem Marvel em “Iron Man 3”, Black tem-se mantido mais ou menos fiel à fórmula que fez dele um autores alternativos de alto nível – passando o paradoxo – mais apelantes a trabalhar hoje em dia.  Hit ante hit de culto o seu trabalho revelou as suas influências enraizadas no noir que se traduziram ao longo dos anos em diferentes versões da mesma história de detectives e/ou vingança, partilhada por vários conjuntos de simples misfits a lutar contra uma conspiração maior. A chave da imortalidade por detrás dessas obras reside na prática de focar a maior parte da sua atenção nesses maltrapilhos e deixar a comédia, drama e acção fluir através deles. Sem surpresas, ” The Nice Guys” é mais um título que segue estes passos à risca e, sem surpresas, é também uma entrada digna de todo o legado que a precede.

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Crítica: An Education (2009)

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Embora pareça cada vez mais difícil associar uma conotação positiva à palavra “feminismo” nos dias que correm, existem ainda aqueles que encontrar o verdadeiro sentido da palavra e convertê-lo em algo que representa esse ideal de forma respeitosa e humanista. “An Education” é feminismo feito de maneira certa,  que é como quem diz que aborda a condição da mulher como membro da sociedade num período onde as condições das mesmas poderiam facilmente instigar um bombardear de propaganda anti-masculina e escolhe fazer o contrário. Esta história de uma adolescente londrina de 16 anos é o exemplo perfeito daquilo que um conto de resolução e amadurecimento (não só mas principalmente) femininos devem ser. Jenny (Carey Mulligan) vive enclausurada sob o olhar fixo de um pai bastante controlador que tomou como sua a tarefa de planear o futuro inteiro da filha, passando por um percurso académico de excelência e (como não podia deixar de ser) um casamento com o par ideal. No seu cárcere ela sonha com um mundo fora daquelas quatro paredes onde possa ter um encontro com alguma aventura e romance antes que o controlo da sua vida seja transferido entre capatazes. É aqui que entra David (Peter Saarsgard), um homem mais velho que graças à sua propensão para sherpa social cai na vida de Jenny como a resposta a uma prece e o par aproxima-se.

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Crítica: Batman v Superman – Dawn of Justice (2016)

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Mesmo depois de uma largada desapontante com “Man of Steel”, 2013 marcou oficialmente o momento em que a DC se juntou à corrida pelo tesouro que é o mundo geek ao marcar a sua presença na Meca do suor – a Comic-Con de San Diego – com a revelação de que o seu próximo filme iria finalmente juntar os “World’s Finest” em carne e osso . A julgar pela electricidade presente no ar desde então, a leitura de um breve excerto do famoso “The Dark Knight Returns” de Frank Miller e o vislumbre de um logotipo foi o suficiente para colocar desde logo a gigante das BD a um passo de ombrear o MCU da rival Marvel em termos de importância. E porque não? Para além de serem duas das mais reconhecidas e acarinhadas personagens em todo o Mundo puderiam também gozar do sucesso bombástico da recente trilogia de Christopher Nolan que ajudou a colocar o nome do Cavaleiro das Trevas no pedestal de onde este tinha caído nos anos 90. Restava agora fazer algo semelhante com o novo Super-Homem – a personagem de cariz ligeiro cuja nova origem soturna não lhe fez grandes favores – e garantir que a caracterização dos restantes membros da Justice League não se conformaria totalmente ao mesmo filtro emocional cinzento do filme anterior.

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Sobre Star Wars: The Force Awakens… – Parte IV

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Este texto contém spoilers do filme Star Wars: The Force Awakens

 

Os restantes novos membros do elenco são criados debaixo do mesmo manto de preguicite – agora menos interessado em doutrinação – o que torna mais transparente os problemas de “The Force Awakens” ao nível da caracterização das suas personagens e do panorama principal da trama. Poe Dameron é claramente o Han Solo para a nova geração, o que automaticamente lhe garante um dos papéis mais cativantes mas o filme toma a decisão estranha de o chutar para canto bastante cedo, deixando o lugar à direita de Rey reservado para Finn, o stormtrooper renegado que desenvolve problemas de consciência no campo de batalha e que decide abandonar a Primeira Ordem. O primeiro é seguro, carismático, elegante e possui um espírito inabalável enquanto o segundo é mais inquisitivo, introvertido e deixa a sua moral tomar conta de si. Nesse caso porquê escolher a “pior” opção para servir como acólito durante a maior parte da película ao invés da “melhor”? Existem duas respostas possíveis para essa questão e ambas apontam o dedo (mais uma vez) aos homens da caneta: a existência de um receio que a presença masculina mais espampanante pudesse passar de secundária a principal quando colocada em contraste com a natureza mais tranquila da heroína ou então os guionistas simplesmente não sabiam como conter a atitude do piloto numa mistura adequada de arrogância, humor e romance durante duas horas. De qualquer forma Poe foi riscado da lista e o caminho ficou aberto para a opção mais conservadora.
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Sobre Star Wars: The Force Awakens… – Parte III

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Este texto contém spoilers do filme Star Wars: The Force Awakens

 

O casting é um dos poucos departamentos onde alguma vontade de inovar é sentida já que ao optar por uma panóplia mais variada de géneros, raças e (quiçá) orientações sexuais nos papéis principais é reflectida um pouco a mudança do panorama social desde os anos 70. A Disney tem sido uma das maiores impulsionadoras do movimento para diversificar o tipo de histórias que conta tal como os elementos a enaltecer dentro das mesmas. Por outra palavras: tirar cada vez mais o poder das mãos do Príncipe ariano da praxe e distribuí-lo por toda a variedade de membros que constituem a nossa praça. Esta é uma prioridade que está agora na berra mas não é propriamente nova. Sendo que o êxtase causado por “Frozen” – o estrondo crítico e de bilheteira que mergulhou o Mundo em repetições intermináveis de “Let It Go” – se deveu em parte ao louvor dado às protagonistas Anna e Elsa pelo bom exemplo que representam para crianças de toda a parte este teve direito a louvores de vitória social.

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Os Vencedores dos Oscars 2016

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A cerimónia dos Oscars 2016 decorreu no dia 28 de Fevereiro de 2016 no Dolby Theatre em Hollywood com toda a pompa e circunstância do costume. Aqui está a lista completa de categorias e respectivos vencedores.
 
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Óscares 2016 – As Previsões dos Leitores

Terminou o prazo para submissão de apostas para o nosso concurso dos Óscares 2016, mas a festa da maior noite do cinema ainda está a começar.

Caso ainda esteja a inscrever-se em oscar polls entre amigos, confira o poder sábio da crowd que são os leitores do blog:

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Sobre Star Wars: The Force Awakens… – Parte II

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Este texto contém spoilers do filme Star Wars: The Force Awakens

 

Todos aqueles que se opõem fervorosamente à carga de críticas apontada ao filme argumentam que a presença de indicadores semelhantes não faz deste uma cópia a papel químico mas sim uma homenagem aos clássicos que os fãs adoram. O que separa então os dois lados do argumento é a falta de concordância em relação a um grau de semelhança que muitos dizem estar apenas em discussão devido à popularidade de “The Force Awakens”. Será? Tal como já vimos, vários outros títulos célebres e/ou exemplos a seguir dentro do género repetem certas batidas ao longo do franchise sem que o mesmo dedo acusador lhes seja apontado. Os “Toy Story” acabam sempre por levar a aventura para fora do quarto para que possamos ver os brinquedos lidar com o exterior desconhecido. Em cada “Indiana Jones” a personagem homónima bate-se contra uma potência maior e melhor equipada na caça a um tesouro antigo e valioso. “Back to the Future” é a história de dois amigos que viajam no tempo para resolver problemas pessoais – por 3 vezes. Mesmo até as duas anteriores trilogias “Star Wars” seguiram um molde semelhante: órfão prodígio num planeta deserto acaba debaixo da asa de um ancião que lhe ensina as propriedades da Força, o elemento natural que lhe irá permitir combater as forças do mesmo Mal que o tenta aliciar a todo o custo. Então porquê só agora os dois pesos e as duas medidas?

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Ócio – Votação Óscares 2016

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O Ócio convida todos os seus leitores a fazerem a sua própria votação para a edição de 2016 dos Oscars.

 

O Ócio quer entrar na celebração dos Oscars este ano premiando as melhores apostas na primeira edição do Oscar Ballot Prize. Os indivíduos que conseguirem o maior número de previsões correctas irão vencer um prémio oferecido pelos administradores do blog.

Para participar, deve preencher seguinte o formulário de votação para os vencedores do Oscar.

 

O PRAZO DE SUBMISSÃO TERMINOU, OBRIGADO POR PARTICIPAR!

 

O prémio para o leitor que conseguir seleccionar correctamente o maior número de vencedores desta edição será um voucher de 15€ para o Netflix.

 

Cada utilizador poderá concorrer apenas uma única vez. Irão ser aceites participações até às 12h (GMT) do dia 28 de fevereiro de 2016.  O vencedor será o concorrente que selecionar correctamente o maior número de vencedores. Em caso de empate, será considerada a primeira resposta a ser recebida como vencedora. Os dados recolhidos não serão utilizados para fins comerciais de qualquer forma, o objetivo do concurso é a promoção do website http://ocio.pt . O vencedor será contactado até ao dia 5 de março de 2016. A participação no concurso implica a aceitação dos termos.

 

 

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